sexta-feira, 19 de junho de 2009

Sobre mim



Sobre mim,
Sobrenada o desejo...
Sobranceiro, altaneiro e incontrolável.
Qual fantasma irrequieto,
Teima em me assombrar, intolerável.
Sobre mim.
Sobre nada.
Nada em mim a fome selvagem
Do imaterial do amor
Do imponderável
Sobre mim
Suicida.


08/09/2008
Continua a correr nas minhas veias
O sangue da vida
Apesar de me sentir meio morta, meio viva
Vive nas veias o veio da vida...
E vive só.
Seguindo o veio muitas vezes trilhado
Diversas vezes fodido e maculado
Mas, ainda assim, um veio viável.


E daí,
Tanto tempo se passou...
Tantas histórias escorreram melífluas e moles,
Até deu para flutuar
Na quentura das águas profundas.
Águas profundas que só se descobrem perigosas
Quando já não há salvação
- Engraçado o perigo ser mais atraente que a segurança! –
Então, se desperta e luta,
Desesperadamente,
Para não perder a razão,
Num caleidoscópico redemoinho insano...
Mas, tudo continua no lugar
Nada se move, nem uma brisa sob o sol...
Deserto na alma,
Sede de vida, de esperança.
E a gente não é mais criança, mas espera angustiado
O príncipe encantado.
Alguém que permita de novo sonhar...

08/09/2008

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