quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Para Meus Amigos
de fortuna e infortúnio
um excelente final de ciclo
Xô Uruka

quarta-feira, 28 de outubro de 2009



Que saudade de mim
quando você existia,
quando via
com alegria
cada novo amanhecer...
Que  saudade de mim
quando te encontrar podia,
e em suspense enlevado sorria,
à perspectiva de um novo dia.
Quando o sono perdia
e aguardava amanhecer o dia
em mal contida agonia
para, enfim,
poder viver, e amar a mim -
aquela que teu olhar via -
quando, incauto sorria
e buscava sem descanso,
o encanto do meu olhar...

quarta-feira, 21 de outubro de 2009








Havia,
sei que havia
um motivo,
um porque,
que nao vivia,
Mas, estupido,
na escuridão
do teu olhar,
se escondia.


And now, what?
Que mais precisa me acontecer
além de ficar sem teus olhos ver
a imensidão da solidão azul
de gelo frio e cortante se encher
de ideias mirabolantes
de mil maneiras te ver
chegar de mansinho
como um súbito carinho
um olhar no entardecer...

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Chapeuzinho vermelho

Vou caminhando
pela estrada a fora...
Sozinha,
te adorando,
me arriscando
na floresta concreta.
Comida e regurgitada
por caçadores e lobos,
debaixo do tacão
da vovozinha,
assustada e ferida,
comendo docinhos -
a torta perseguida -
do fruto proibido
da árvore da vida.

Via de regra,
a regra da via
não via:
a via,
a regra,
simplesmente
não existia...
Sigo te amando
sob os auspícios
de um amanhã
que custa a chegar!













Eu não quero mais nada,
vida minha,
a não ser te adorar
em branco e preto.
Num instantâneo
congelado,
um momento,
pura magia,
fé incondicional,
quase imaterial,
fixada na eternidade
de um olhar desatento.








Aí, se fez claro,
num lapso
percebi
a fome voraz,
o brilho sagaz,
a maldade,
sombrio contorno
do beijo de judas,
do sorriso do lagarto,
à espreita,
feito lobo camuflado,
esperando no caminho
o inocente sozinho
disposto a amar.

Que bom que você existe

Que bom, amor
que você existe
mesmo eu triste
e você sozinho...

Estou em êxtase
e é bom estar
acordada
no meiodo nada
ouvindo o tic-tac
tic taquear
pássaros cantam
o som do universo
a conspirar
a vida teimosa
a latejar
o som do lápis 
na folha raspar
palavras que
fazem sentido 
no meu coração a pulsar

terça-feira, 29 de setembro de 2009


Tenho saudade
de mim,
daquela que um dia te amou,
que fazia teus olhos brilharem
buscando, sorrateiros,
encontros de instantes...
Tenho saudade
da inocência,
da frágil aparência,
do doce sonhar...
Tenho saudade
do homem apoaixonado,
do ser enamorado
que jurava me amar...
Tenho saudade
da fé que eu tinha
na alma, que era minha,
e que eu não consigo mais encontrar!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009


E eu te amei
total e profundamente
te fui fiel
na alegria e no tormento
no desepero
calado e triste
te amei
na solidão da minha longa espera
por ti
sonhei e sofri
a queda
o desabar do ídolo
de pedra
lascada e dolorida
cresci
amei
me perdi
E agora
quem chora
o ídolo
que cora
e não pede mais
implora
um pouquinho de amor
um cadinho de dor
um cantinho
pra chorar
sofrer e amar
como um dia
eu te amei

sexta-feira, 25 de setembro de 2009


Ei caminhante!
Pra onde vai com tanta certeza?
Vai atento e vigilante,
Os olhos fixos no horizonte...
Com a certeza de chegar
a nenhum lugar...
Passos seguros
certeiros, decididos
caminham no escuro...
Escuro onde estrelas brilham,
faíscas de sonhos,
tímidas possibilidades
de realizações...
Ei, caminhante!
leva contigo
este sério semblante:
rugas na testa,
boca de pedra,
perfil de estátua.
Passos pesados e arcados
sob o peso da amargura
e do desasossego...
Peito marcado,
rosto corado,
corpo suado e cansado
de tanto andar...

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Bipolar


Como o estilhaçar do puro cristal,
momento exato da bruta pedra
batendo dura realidade:
as fendas que irradiam,
abrindo a força
veios incertos, desesperados
fugindo do ponto,
do foco central da dor
De límpida alegria inebriante,
banhada a céu azul e muito sol,
à tristeza profunda,
incompreensão,
frustração...

terça-feira, 18 de agosto de 2009


Então,

o mundo fez sol

para te fazer brilhar!


Se fez noite,

para te ver

sonhar!


Se fez imenso,

para te ver

amar!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009


A razão do tempo
Ilógica loucura
Vã esperança
Ilusão...
Átomos perdidos que se encontram
No espaço inusitado,
Esperado?...
Demasiado tempo
Incontido, incontível
Desesperada busca infinita
Exaurível instante,
Recomeçavel sempre.

Encontro

Então
A gente se viu!
Sorriu
Rachou
O mundo quase parou
Prá gente ser feliz
E aí,
Quimera
Ser feliz a gente quisera
com um futuro a gente sonhara
Pudera...
A gente sorriu....

Reconstrução


Dentro de mim:
cacos,
pedaços
de um todo que fui

Imenso retalho,
intenso trabalho
de busca,costura
que flui
com alças,
em almas falsas,
em nós.
Cozendo,
franzindo,
tentando caber...

Compomdo um tecido
emaranhado e fudido
que protege,
aconchega,
acaricia,
acomoda
marota,
fazendo chacota
da dor
do horror
do amor

sábado, 1 de agosto de 2009


Só a paz repousa,

num átimo,

sobre minhas palpebras.

Eleva minha alma,

me torna leve como a inocência.

Silencio.

reverencio-te!


Toma-me como sua posse,

doce e forte

- preciso da tua mão para me guiar

no silencio de minha alma...


Deserto!

Tão só de mim que minha alma se tornou um...

o meu próprio...

Pesadelo

- perder-me de mim!


Recuperar

a mim e meu deserto

Decerto

sinto-me mais forte

para faze-lo florir

- mesmo no frio dos olhos teus.



quarta-feira, 22 de julho de 2009

A lágrima


Num raio de sol,
Ausente,
Uma lágrima medeia o caminho da face
Solitária,
Única,
apenas ...
Uma gota,
cristalizada no instante de um rápido olhar.
Que face maldita em tal amplitude,
Flagra o instante da lágrima que cai...
Que há na lágrima,
imã prodigioso,
que alcança o olhar perdido,
despretensioso,
que pára a admirar
a solitária lágrima no olhar!

Ser há

Sabe lá...
O que será?
Ser há?
Ser vivo,
Amante,
Errante,
Eternamente falante...

Combatente

Renitente

Pensante


Qual história se repetirá?

Entre sorrisos e lágrimas
Suspiros e sonhos
Doce ilusão!
Uma amizade sincera
O que será que se espera

Sabe lá...
O que será?
Ser há?...
Ro
20/08/90

Uma Estrela




Se vier algum dia
buscar seu presente
saiba,
eu te amarei para sempre.
Não a você, exatamente,
mas ao que foi infinitamente
sem ter sido efetivamente!

sábado, 18 de julho de 2009

Aonde esta você?
Será que morri eu.
(Clarice dizia: vamos não morrer em protesto!?! )
Viva no mundo, só de você.

Quero fazer cara de paisagem para o mundo

To tão cansada!
De mentiras e palhaçadas
de me sentir enganada
pra me fazer debilitada
e me mostrar apaixonada!
Cansei.
Não minto mais,
também não sinto mais,
quero fazer cara de paisagem
para o mundo

Tinha que ser

Tinha que ser
olhava o ceu pra te esquecer
a lua, sorrindo, me disse:
vai crescer...

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Meus paulos
são tantos
Leminski,
que cria
Coelho,
que via
Que de paulos
viraram planos
E de planos
Vida em meu peito sorria

terça-feira, 30 de junho de 2009

Paixão

Eu sinto você...
Em todos os poros,
em todas as fibras,
em todo meu eu!

Você se exala de mim
a cada respiração,
a cada pensamento...

Tanto tempo
que eu já não sei mais
o que sou eu
e o que é você em mim...

Eu cresci, anjo!
Me fiz mulher e...

Estou aqui.
Há quanto tempo...
Ironia estar aqui pensando em você!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Guris


Daí...
Da gosto dizer
Que a gente vai viver!
Vai sair, por aí...
Feito um guri
Girando latas como um caminhão
Doce ilusão, sonho vão
Mas, de repente
A gente desperta, e o guri volta
Nas histórias, piadas
Nos filhos, guris...
E guris eternos, permanecemos
Fatalmente guris, com sua ilusão...





Queria poder cantar
Em versos límpidos e rimados
A aventura de se dar
E de poder ser amado...

Em rimas, as estrofes construiria,
Das canções sussurrantes
Nas quais eu, profundamente, confirmaria
As gloriosas sensações inebriantes.

Que só o amor pôde trazer,
Que o amor veio, enfim,
Que só junto a você pude conhecer

Eu te amo, glorioso amanhecer,
Eu te quero mais que a mim,
E só para você ei de viver!

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Talvez


Talvez...
Quem sabe a gente dê certo...
Desertos de ilusões,
grávidos de sonhos plantados no real...
Tomara a paixão – poderosa tormenta –
cristalize o sentimento
e possa – fremente e intensa –
conservar-se inebriante e entorpecente
qual o primeiro instante – atordoante –
da descoberta fugaz – do fujo! Do nunca mais! –
mas, incautos e crédulos – do quero acima e apesar de...-
Talvez...
Esperar o eterno – sonhando o anacrônico –
(irônico encontro etéreo),
que seja então o substancial – essencial –
que seja o fatal epílogo:
que nos domine e imobilize
nas cadeias do nosso amor infinito!


Ro
11/10/89

Prisma


Ah! Que é o tempo?
Que é o prisma que destila a luz?



Vertiginosa,
Inebriante,
És paixão ambulante
Que em minhas veias circula.
Constroe caminhos e atalhos
Recortas meus contornos,
realçando-me em luzes e sombras.
Custa-me crer que fui,
se só agora apareço,
recortada, redesenhada
a partir de teu cizal.
Que suaviza traços,
esboça novas linhas,
transforma e destrói outras...
E sobre teu estudo,
transpareço,
lúcida e inteira,

Mulher!

Conhecimento

Um murmúrio
Crescendo no peito
Assim, desse jeito
Crescendo , vibrando
Ei - lo: conhecimento!
Alívio insano
Descanso terreno
Apaixonado sereno
Por ter feito a minha parte.

domingo, 21 de junho de 2009

No caminho


No caminho
Há espinhos, pedras, poças
Há passos intermitentes
De gente inconsciente
- talvez latente -
que não acredita no que faz!

Mas,

No caminho
Existe a luz
Que conduz, induz e produz
Na gente inconsciente
- talvez latente -
a verdade da vida
na busca do algo perdido
escondido, esquecido
a milhares de anos atrás...




Ro
05/09/89

De revés

sei lá .... o que vira....
o que virá?



Ao invés, de revés...
enviado.
chamuscado
de delírio
de suspiro

de tesão


a tensão, atenção
te
a
m
o
de paixão...
doce ilusão

Ro
30/01/89

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Sobre mim



Sobre mim,
Sobrenada o desejo...
Sobranceiro, altaneiro e incontrolável.
Qual fantasma irrequieto,
Teima em me assombrar, intolerável.
Sobre mim.
Sobre nada.
Nada em mim a fome selvagem
Do imaterial do amor
Do imponderável
Sobre mim
Suicida.


08/09/2008
Continua a correr nas minhas veias
O sangue da vida
Apesar de me sentir meio morta, meio viva
Vive nas veias o veio da vida...
E vive só.
Seguindo o veio muitas vezes trilhado
Diversas vezes fodido e maculado
Mas, ainda assim, um veio viável.


E daí,
Tanto tempo se passou...
Tantas histórias escorreram melífluas e moles,
Até deu para flutuar
Na quentura das águas profundas.
Águas profundas que só se descobrem perigosas
Quando já não há salvação
- Engraçado o perigo ser mais atraente que a segurança! –
Então, se desperta e luta,
Desesperadamente,
Para não perder a razão,
Num caleidoscópico redemoinho insano...
Mas, tudo continua no lugar
Nada se move, nem uma brisa sob o sol...
Deserto na alma,
Sede de vida, de esperança.
E a gente não é mais criança, mas espera angustiado
O príncipe encantado.
Alguém que permita de novo sonhar...

08/09/2008